sexta-feira, janeiro 06, 2006

burburinho

A chuva desta noite é melopeia.
Sopra num abraço a vidraça da janela
Traz tristeza, hoje, no forro da lapela.
Gela as mãos de quem com os dedos beija os vidros.
Oleia os olhos de quem passeou nela.
Hoje a chuva desarruma a maquilhagem da pele amarela.
Descortina nódoas-negras e marcas de varicela.
Pinta de preto as maçãs do rosto de quem passa sem ela,
Revela o sabor ímpar de olhos de bela adormecida
A quem por engano só beijaram o retrato em aguarela.

(Ainda que nunca tivesse passeado com ela
Sei que hoje chego molhada, as lágrimas, são as dela)

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