domingo, janeiro 15, 2006

canções de amor

Manhã submersa no fundo de alguém, não sei quem.
Acordo recolhida nos braços de uma dor antiga,
O alvor branco da madrugada inflamada
Preenche-me na garganta os espaços azuis que detive.
Tenho a voz preenchida a madrugada e uma vontade infinita de continuar dormindo.
Adiem-me os despertadores e as pancadas secas na porta.
Façam-me vomitar a madrugada e a voz,
Quero dormir até que a rua onde habito pareça morta.
Aí, pintar as unhas de roxo e beber todos os frascos de tinta que encontrar.
E como nos filmes de cinema quero dormir horizontal no meio da estrada
Ir até ao mar e deixar lá os sapatos
Encontrar por dormir um tipo porreiro e beijá-lo devagar.
Depois acordar simplesmente, phones altos nos ouvidos.
Sentir constrangida e assustada como uma criança que acorda fora do quarto em que adormeceu que as letras das canções de amor que passam não precisam de ser adaptadas.

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