quarta-feira, janeiro 18, 2006

Parque

Uma estucada inexorável gela-me a garganta quando entro neste lugar já tão estranho.
Saber que o parque já há muito que não o é
E faltarem os olhos indubitavelmente brilhantes
Na ausência de um coração que freme ao mínimo ruído nocturno.
Falta a essência que vi erguida como filosofia,
A vontade iminente de invadir um dos pequenos barcos
E rodopiar entre gargalhadas;
Saber que por muito que o barco não se movesse havia algo que se movia secretamente.
Como um assobio leve ou um murmúrio latente.

Carecem os encontros a estátuas escondidas e carece sentir toda a relva húmida numa lenga-lenga fraterna que nos invadia o corpo atento.
E a poesia. Ah! Essas linhas fluidas que soavam pendulares por interrogações constantes.

2 comentários:

Pena Suspensa disse...

E fluíam... Num jeito de momento estático e perfeito, que não consigo transformar em memória. Não deixa de ser parque... Só que já não é o parque que flui à luz da lua sempre cheia, atenta.

É, pelo menos, uma visão do parque.*

conteúdo latente disse...

o parque, o parque. Pode um lugar estar tão cheio de vidas que se faça rogado na nossa entrada?