domingo, fevereiro 12, 2006

tinta (para R.M.)

Mergulhar já alterada em essências escoantes
E deambular sobre os limites do papel que nunca são os da cabeça.
Subir ao prédio mais alto pelas escadas de emergência,
Chegar ao cimo ofegante, descrever fotografias desfocas e deixar-me cair.
Dar a face ao ar frio num abraço lento
E saber que posso atenuar a gravidade ainda que num truque de aprendiz de magia.

Gritar em maiúsculas sempre e nunca e tudo
E nada disto ser impossível aqui.
Encher as mãos em concha de papeis pequenos coloridos,
Rodopiar com eles ao vento e vê-los voar por sobre os cabelos
De cheiro a champô intenso de hortelã.
Senti-los ultrapassar a pele, os dedos, o suor salgado e num esforço intenso de flexibilidade aguda
Tentar que as cores não poluam ninguém.

5 comentários:

Clarissa disse...

Já li este poema uma série de vezes...fico sempre com uma sensação de liberdade infantil...quando em criança se tem a certeza que tudo é possível, basta querer...
Beijocas

kiko horta disse...

beijos carolyne :P

conteúdo latente disse...

clarissa: sim, esse basta querer, azul sobre oiro [;)]
beijos*

kiko, estou a dever-te um favor grande! lol
beijo*

hobbes disse...

apenas lindo..*

conteúdo latente disse...

obrigada*