sábado, junho 10, 2006

Arcas

Há uma noiva que em mim morre
No alvor de cada madrugada.

Primeiro os anéis caiem dos dedos enegrecidos.
Há um salto dos sapatos macios que se parte num desequilíbrio com o chão.
O véu é rasgado pela gravidade que nele se pendura
As lágrimas caiem quando, ao longe, alguém lhes acena que não.

A maquilhagem desfragmenta-se e o verniz estala-lhes nas unhas ressequidas.
A luz dos candeeiros da rua é tudo o que nelas se vê.
O vestido é sustido no corpo pelo medo de ficarem nuas.

Há uma noiva que em mim morre
No alvor de cada madrugada.

6 comentários:

ashfixia disse...

Consigo surpreender-me sempre que num clique venho até aqui ler os teus textos.
São minuciosamente translúcidos.
Surpreendo-me sempre pela positiva.
Parabéns :)

Clarissa disse...

«Há uma noiva que em mim morre
No alvor de cada madrugada.»

Minha doce amiga... cada dia mais lindas as palavras que nos deixas.
Tinha saudades tuas.Esta gripe deixou-me sem vontade para nada. Agora estou melhor e voltei a escrever.Ainda bem que gostaste do novo tom dos Instantes,a tua opinião é-me muito cara.
Um beijo enorme, azul, apertado num abraço :)

mina disse...

lembrei me da noiva cadaver...

mas no fundo pensei:

..mas espero um dia nao ser essa noiva.

*

Francisco disse...

um dia vais saber um poema de cor. *

hobbes disse...

sim..morre uma noiva em mim..ficam apenas os sonhos e os planos que tina feito..
e as flores da igreja eram tão bonitas..
resta-me nas mãos o calor da raiva que esta impotencia me dá..
mas alguém acena que não..

Lord of Erewhon disse...

Este está mesmo muito belo!
Dark kiss.