segunda-feira, dezembro 11, 2006

Destruição total.
Agarrar nas páginas dos livros ao lado dos quais se chorou, lágrima a lágrima, e rasgar sem angústia o papel e as letras, convocando para a cerimónia todo o caos e ódio. Só. Uma vontade indomável de destruir tudo com a força das asas, quebrar as prisões do dia-a-dia para depois cair numa maior prisão.
Deitar as velas acesas para o chão e ver a casa arder. Inalar o fumo até à loucura e partir os copos que eram de uma avó distante, perder as cartas e as lembranças dos amigos sempre de um outro lado do mundo nas suas palavras já imperceptíveis e confusas, esquecer o instrumento num canto do quarto e todas as partituras. Os projectos, a roupa, os livros emprestados por rasgar, as fotografias. Destruir tudo até à exaustão, sem sentir pronuncio de amanhã.
E no dia seguinte acordar com o calor das cinzas envolventes. Tossir levemente e sacudir os cabelos. Poder só, num passo de dança simples, fechar os olhos. E dormir de novo.

4 comentários:

Anónimo disse...

h

Jose disse...

Grrrrrrr....

Tinha um comentário elaborado e pacificador pra postar que se perdeu porque os computadores pressentem que eu não gosto muito deles e odeiam-me de volta...
Grrrrrrr....
Assim sendo vou reformular! ODEIA à vontade!!!
Só não deixes que esse ódio te consuma!
Agora tenho de ir porque já não tenho mais tempo, mas espero voltar pra escrever mais ou menos o mesmo que se perdeu...

P.s. Sou o z ... mas o blogger tá marado e é evidentemente um sério candidato a ser destruido na minha fúria!!!!!!!!
Beijinhos

mellagi disse...

Destruir para recriar... a renovação que exige o abandono das velhas formas! Gostei!

Z disse...

O meu comentário elaborado, agora que já me passou a raiva, citava um filósofo, cujo nome agora não me recordo, que disse, mesmo no início do regime Nazi:
Os homens que começam por queimar livros acabam por queimar homens...