domingo, março 04, 2007

Fotografia de a_l_m_a_


E então acorda aflita, num grito preso, no cabelo por pentear, nas mãos sujas pelo silêncio arrastado dia a dia.
Pouco passa das duas, a cama é um buraco no chão de vermes em que o corpo é a terra vencida. Os olhos apagados abrem cortinas nas respirações entrecortadas e sussurrantes, dentro dela tudo o que alguém se recusou a dizer. Acordar para chorar, o sentar na cama, as pernas a baloiçar compassadamente. As mãos agarram-se aos lençóis como crianças assustadas e as lágrimas inundam os olhos, as lágrimas brancas inundam todo o corpo morto por sonhos. Nem sempre desejamos o melhor e, como monstros, há tiaras sem luz debaixo da cama.

2 comentários:

Lord of Erewhon disse...

Felizmente anda mais gente das tuas idades a escrever muito bem por esta blogosfera dentro... mas tu tens uma singularidade: as atmosferas tantas vezes cruéis e fantasmáticas que envolvem a tua escrita. Isso é raro. Toda a gente pode escrever sobre o amor, amassos dos corpitos e coisas do género... Menos gente tem talento para escrever sobre o que se esconde na treva, principalmente na nossa «treva de alma»...

Dark kiss.

Phyll disse...

Sabia que de tanto procurar encontraria textos que realmente refletem a veracidade amarga, coladas às solas dos pés. Gostei! Bjs!