quinta-feira, julho 05, 2007

O dia em que te vens buscar.

Aquelas são as tuas malas.
Ao canto.
Tão a um canto de mim,
Que quase caiem
Nas sonatas ensaiadas
Sem afinação.
Estas são as tuas malas.
E estão trancadas
Porque nenhum de nós acreditou
Que eu não me ia sentar
Com chá de limão e torradas
Ao pé delas.
Para estar contigo
Uma última vez.
Estas são as tuas malas
E desço ruas com elas
Em todas as partes de mim.
Mesmo que elas sejam só o canto
Em que não caiem.
O canto em que ficam
E que não é desafinado
Porque é tão simples
Como o chão e o limão
Numa última tarde
Em que me despeço de ti.
Para sempre, porque não é para sempre.
Como as malas dentro de mim.

3 comentários:

Beatriz disse...

Eu não gosto de poesia. E acho, modestamente, que por isso mesmo, sei reconhecer boa poesia. Porque é a que realmente me comove. A que me convence. A que é feita de versos de homens e mulheres que escrevem, e não por poetas...

Adorei.Ponto.

Anónimo disse...

Não quero guardar malas. Mas elas não querem sair.

conteúdo latente disse...

Há malas que se recusam a sair.
E temos todos que saber lidar com as nossas. E com as que ficam com as pessoas de quem gostamos.