sábado, setembro 15, 2007

Adeus

Este é o momento a partir do qual começo a magoar-te.
Devagar, num suspiro a mais,
Num passo de magia que já não fazemos,
Com medo de sair mal.
Este é o momento a partir do qual já só vês destruição
No que tenho para te dar.
Já não tenho mais os braços cheios de rosas,
Nem vontade de tê-las para ti.
Há só o que fomos e o não saber
Que fazer com isso.
Há as mãos atrapalhadas que num hábito repetido
Procuram as tuas, ainda que não haja
Nada mais para dar. Nem sequer as mãos.
Este é o momento em que as linhas que nos sustentam
Começam a ceder a uma palavra fora do sítio.
Perdemos a capacidade de nos inventar,
E confundimos a filosofia com os sentimentos
Nas discussões acesas e repetidas.
O que tu és, tudo o que tu és, e que eu não sou. Nem quero.
Tudo o que no principio não importava
Na rajada de vento forte que era ter alguém
A quem dar a mão.


Março 2007

2 comentários:

baGa disse...

completamente.

Débora disse...

"És melhor do que tu."
(Fernando Pessoa)