sábado, setembro 15, 2007

Adeus

Vai ser uma mesa comprida,
Com toalhas de renda branca
Numa sala escura.

Vão existir saltos altos
E vestidos de veludo,
Ensaiados nas costureiras velhas.

Vão ser jarros de flores alegres
Sobre a tristeza que ninguém
Sabe existir.

Vão conjugar-se juízos e sentenças finais
Mas os vernizes não hão-de estalar.
Quem terá coragem de lançar no ar um abraço?

Vai ser uma mesa comprida,
Com toalhas de renda branca
Numa sala escura.

Vão existir pessoas.
Que estarão a festejar?
Elas próprias não sabem dizer.

Levam mágoa nas carteiras de brilhantes?
O mundo gira torto,
E julgam todos andar nele muito direitos.

Chamei-vos porque quero ir.
Espero que
Para sempre e para lado nenhum.

Se o pretexto é sempre a cobardia
Quebra-se quase este nunca mais.
Há a festa, e, num sítio que ninguém já vê, a agonia.

Alguém ao fundo chora assustado,
Há quem sorria elegantemente.
Os contrastes do dia-a-dia.

Vai ser uma mesa comprida,
Com toalhas de renda branca
Numa sala escura.

Não quero encontrar ninguém,
Passei todos os meus dias a procurar uma Beatriz
Que nunca se encontrou.

2 comentários:

Z disse...

Adeus são tão tristes...
Eu deixo um Olá...
e talvez um até breve!

(É bom verificar que não te esqueceste de nada do que de bom és capaz! Beijinhos)

PiresF disse...

:)