segunda-feira, outubro 22, 2007

Este poema acaba em reticências
Porque
O teu nome fica por dizer.

Nascemos juntos
Numa casa sem morada.
E sei que nunca voltarei a essa casa
Quente, erguida à beira da estrada.
Não nos demos morada,
Para que nos pudéssemos perder.

Ninguém resiste a partir
Quando não há morada.
E os destroços dessa casa longínqua
Arranharam o meu corpo despido.

A palavra
Que não te disse ergueu uma casa
Que se desfaz agora.
E nunca teria havido casa se algum dia
Essa palavra tivesse visto a luz.
Guardei-a atrás dos meus lábios
Na esperança de que pudesses lá chegar,
Mas a palavra não chegou a ti.

Se antes não havia morada,
Hoje nem sequer há um sítio
Onde pernoitar sem lobos.

Este poema acaba em reticências
Porque
O teu nome fica por dizer…

1 comentário:

Ophélia Queiróz. disse...

Amo-te.