sábado, outubro 20, 2007

Só.

Partiu ainda agora
Um comboio para mim.
Há muito tempo
Que não partiam comboios
Que chegassem a mim
E a noite é escura.

Finalmente
Hoje não é dia para mortes.
Há um comboio
Que percorre linhas velhas,
Que pôs motores em coma
A cantar mais alto
Que orquestras!
Vem um comboio do mundo
Até mim
E sou feliz
Na ideia desse comboio.

Espero na estação de mim,
Há um relógio na parede
Que não bate tão depressa os segundos
Como
a marcha do comboio
Contra a minha solidão.

Passaram tantos dias
Desde que o comboio partiu.
De onde nem eu mesma sei dizer.

Um dois três quatro cinco
O coração aflito.
As portas abrem-se como se fossem
A entrada para um baile.

Tenho medo de abrir os olhos
Até gelar
Na verdade simples
Que sou eu
:
O comboio não é conduzido por ninguém.

E ninguém vem nele.

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