terça-feira, novembro 27, 2007

Adormeço a querer só solidão.
A querer uma casa,
Onde ninguém tenha de entrar.
E não posso explicar a ninguém
O quanto quero ninguém,
Porque a explicação
Sou eu a precisar de saber
Que consigo sozinha,
Que o mundo não cai.

Adormeço a querer, só, a minha solidão.
Falo com ela,
E suponho que não esteja louca, porque
Penso nessa possibilidade
Como uma possibilidade real.

(Aqui é o lugar da estrofe
Que não posso escrever porque magoa,
E já a escrevi vezes repetidas,
Mas não fui mais sozinha por isso)

Adormeço. Quero estar sozinha.
Tão sozinha. Quero voltar a casa e
Não encontrar ninguém. Quero ir
À rua e não ser ninguém para não
Ter de falar com alguém
Que se cruze comigo, sem querer.
Quero estar sozinha, ainda que acorde
Na certeza de que estou já sozinha,
De que estou sozinha como estive sempre,
E tudo continuou
Sem mim. Só eu não soube continuar, e
Não quero ninguém,
Nem quero memórias doces,
Não me quero a mim.

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