domingo, novembro 18, 2007

Há quem lhe chame bailarina
Por engano, ou por pena.
Tem vestidos bonitos,
De brilhantes falsos,
E sapatos de pontas debaixo da cama…
Para sonhar.
Ela, é a puta de um circo de ilusionistas
Com quem se deita
Para procurar um conforto
Racional.
Há quem lhe chame bailarina
Por engano, por pena,
Há quem lhe chame prostituta
Por educação.
Os trapézios que frequenta
Não têm redes
E a única coisa que a prende
É a força nos braços que não tem.
(Fecha os olhos.
Vamos fingir amor.
Mas não é amor.
E aconteça o que acontecer
Isto não é amor.
Nem nada que possas associar
A amor.
Ouviste?
Sim.)
Queria que abrisse os olhos
E visse o círculo triste
Onde mora.
Mas ela quer assim,
Quer saber fingir,
Sem ser ilusionista, um dia.
Dizem que as putas fingem tudo,
Mas as putas também amam,
Ainda que amar possa não ser nada.

2 comentários:

o. queiroz disse...

Sabes, descobri,(e isto há-de ser para sempre um segredo só nosso), que não consigo amar aquilo que tenho. Sou só mais uma puta mimada, acho.

o.q. disse...

e quem me dera conseguir amar ainda alguma coisa que já tenha perdido.