sexta-feira, novembro 23, 2007

Ninguém.

Houve tantas guerras a levarem-me
Pessoas para longe…
Foi tanto o sangue
A fazer partir os soldados
Que um dia lutaram por mim
Como quem luta
Por uma cidade em chamas
Que se ama.
Hoje, só tenho o sangue
E as feridas dessa humanidade,
Sem pessoas que tenham conseguido
Ficar, sem partir.
Houve tanta gente a pôr em mim
A esperança
De salvar essa cidade em
Ruínas, que sou eu
A cair… Casa a casa.

Tenho sempre medo.

Início guerras com soldados
Que amo,
E que amo sempre
Como nunca amei ninguém.
E esses soldados,
Estavam dispostos a morrer
Por essa cidade em chamas,
Mas eu não,
Porque já morri.
Por isso desisti antes de perder,
Eles… Partiram.
Agora só me restam ausências.
E ainda que o meu medo
Tenha levado para longe
Os soldados, não há nada
Que me tire estas ausências,
Nem as falhas e vazios que há em mim.
Porque houve um exército
Para os dias de chamas,
Mas nunca ninguém que o
Comandasse e acreditasse que essa
Cidade ia sobreviver a mais
Um incêndio.

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