quinta-feira, novembro 08, 2007

Não amar
É aceitar o mundo.
Dorme, pequena.
E não ames
Nem dês as tuas mãos
A mais ninguém.
Aceita o mundo
Sem quereres nada dele
Para que quando
Chegar o dia de ires
Possas ir em paz.
Respira devagar
E molha os teus pés no mar.
Não tenhas sonhos impossíveis
Nem acredites nas rosas
Que duram sempre.
A verdadeira beleza de tudo
Está na morte certa
Que um dia tudo vai ter.
Aceita o mundo,
Não há tempo para não
Aceitar o mundo.
É possível ser feliz,
É tão possível ser feliz
Como beber água de um rio
Onde não chegamos
Senão com o olhar.
Aceita o mundo,
E não queiras nada de ninguém
Em ti,
Senão a ideia do que poderia
Ser amar.
Não tenhas pressa de nada,
Nem pressa em sentir nada.
O mundo não é bonito,
Mas tem de ser.
E mesmo que nunca proves a água
Desse rio senta-te ao pé dele
E pensa no que seria
Adormeceres no leito desse rio.
Assim, sentirás o seu correr,
Mas nunca sofrerás a sua
Ida
Porque ele nunca foi teu.
Nunca nada será teu,
E não perderás nada.
Não abraces nada grande,
Não sonhes o impossível,
Nem sequer o possível…
Sonha só o que poderia ser
Sonhar e aceitar o mundo
Simultaneamente.
Dorme calma, pequena,
E aprende a aceitar o mundo,
Para que quando fores um dia,
Num dia que pode ser qualquer dia,
Não te doa, nem doa a ninguém
A tua ida.

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