sexta-feira, dezembro 07, 2007

É fácil.
É abrir a janela e ver o Inverno,
Mas não pensar no frio.
É ir na rua e olhar as pessoas,
E essa multidão muda dizer
Em coro que há mais gente,
E mais vida.
É saber que a vida corre,
E que há quem não possa
Encontrar-nos.
É abrir a janela
E imaginar a luz quente
Do sol por entre o vento
Que treme de frio.
É fácil.
É acordar e não pensar,
É afogar a solidão e o medo
Nos pormenorezinhos
Das calçadas,
Sem olhar os vazios entre
As pedras.
É saber que não, que não
É nada fácil, mas que tem de
Ser. E é só fingir.
É só fingir que é fácil
Querer a luz forte na cara,
E ser finalmente feliz.
Até ao dia em que sem
Querer a máscara se mistura
Com a cara, e já nada é máscara
Nem é cara.
Que importa se a luz existe,
Se a prendemos às mãos
E arranjamos num bocejo cansado
Uma forma de estar bem.

1 comentário:

Jaqueline disse...

Ainda continuo arrepiada a ouvir os vídeos que o Pedro acabou de passar para o pc.

Obrigada.

Beijinho enorme.