sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Há quem durma com loucos,
Há quem durma com a loucura.
Uns deles são loucos, outros
São só sozinhos e frios como
As sextas-feiras que se fazem sentir
Num oitavo pecado de tanta solidão.
Sextas-feiras são uma rosa murcha
Antes de tempo, que caiu da mão de
Alguém. Alguém.
E que um carro atropelou sem
Ver, porque não era gente.
Sextas-feiras são fantasmas,
E gritos a lembrar o tempo em
Que era bom voltar e ficar.
O tempo em que só importava
Chegar, e querer que as noites que
São hoje livros e solidão,
Fossem eternas. São um vazio enorme,
Cercado de rituais negros,
E o ter de fingir que esse vazio
Não existe.

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