domingo, fevereiro 24, 2008

I

Sentada no seu trono imponente de estrelas apagadas,
A distância fita a noite presente.

Tem a seus pés a bandeira de um país longínquo
A que nenhum homem chega de olhos abertos;
A humanidade deitada pisa terras que as mãos
Não vêem na ânsia cega de verticalidade.

Sentada no seu trono imponente
A invisível distância olha toda a gente
E não vê ninguém. Tem no colo o mapa de um país longínquo.
Não há barcos que conquistem o seu mar,
Haja homens. Ou heróis.
Dorme tácita a distância,
Tão distante já dessa noite densa
Onde ninguém chega, porque é perto demais.


II

Deus nasceu morto, com o cordão umbilical
Enrolado ao pescoço frágil – pescoço de gente.
A distância virou os Homens para o céu,
E nele esculpiu a lenda
Que os guiou.

Ainda que Deus possa não ter escapado,
Haja ainda um só homem só que saiba dormir.
E ainda que sem querer ver a sua escultura no céu.

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