sexta-feira, setembro 25, 2009

Fico então perdida nessas mesas de café
Onde amar será sempre fácil
E sempre para sempre.
Onde os sapatos de bailarina
Encaixarão sem feridas em pés que não crescem,
E os sonhos estarão pendurados
No topo dos candeeiros das ruas já não amargas.

Onde é fácil que o passado sorria
Como uma brisa de encanto transversal,
Onde as televisões não solfejam dores pequeninas
Que se escondem não-sei-onde…
(Será debaixo da mesa,
Onde se ama para sempre e não chovem
Os mortos ainda quentes?)

Fico nessas mesas de café,
Entram e saem os vivos em contratempos
Sempre impossíveis de prever.
Mexo o café contra os ponteiros do relógio
Para combinar com o sentido
De esperar por não-sei-quem
Numa mesa riscada de café.

Onde os chás arrefecem antes de tocar os lábios,
Onde as paredes caem aos bocados no chão,
Onde as meninas olham o vazio sem bonecas pela mão,
Onde as rosas desbotam com o olhar:
A maravilha de tudo vai-se gastando. Os lábios rubros,
Para sempre esbranquiçados, os olhos de alguém que
Dormem sempre fechados.
Onde as varandas não dão para o mar,
Onde as funcionárias não cheiram a baunilha,
Onde afinal amar não é para sempre.

Mesas de cafés, gentes sem início ou fim.
Entra nesse berço onde tudo é fácil
De novo, e aprende (a não) ver.

Sem comentários: