terça-feira, setembro 01, 2009

You are the dancing queen, young and sweet, only seventeen
Dancing queen, feel the beat from the tambourine
You can dance, you can jive, having the time of your life
See that girl, watch that scene, dig in the dancing queen

Intelectuais. Betinhos. Músicos. Amigos dos amigos. Góticos. Pop Stars. Conhecidos. Hippies. Estudiosos. Amigos. Bailarinos. Que gostam de ficar a ver. Que não gostam de ir. Que dançam até à exaustão. Que fazem um esforço para não vomitar no meio da pista. Sóbrios. Que fumam erva. Que saem do universo. Fumadores. Fumadores sociais. Vegetarianos. Com decote. Vestidos. Calções. Saltos altos. Havaianas. Heteros. Gays. Tanto faz. Que estudam. Que não estudam. Com ideias políticas. Sem ideias políticas. Que me admiram. Que não querem nem saber. A quem irrito. De olhos abertos. De olhos semi-serrados. Que cantam a letra. Que gritam a letra. Que não sabem a letra. Que improvisam no momento. Seis da manhã.

Os pés leves, num sítio muito distante de onde estão. A música pára, as luzes acendem e tudo é estranho. A maquilhagem borrada sobre os corpos. O suor na testa. O cabelo desalinhado, o coração a mil e o desejo longe de um lugar palpável. Os decotes puxados, os collants a escorregar, um beijo a incomodar os lábios. No chão um cemitério de copos e beatas. As luzes já não encantam os movimentos, a música ainda rebenta nos ouvidos. Meia hora para conseguir recuperar os casacos. Meia hora no metro, cair na cama duas horas. Psicofisiologia e Genética. A maquilhagem que não saiu bem dos olhos. Proteínas, Aminoácidos que codificam, lixo genético, Neandertais, Mendel. As pernas meias trémulas e a garganta seca. Novo mundo há 11500. Codões.

Vês a rapariga ali ao fundo, a que chegou atrasada? Tem o cabelo ruivo, mas deve ser pintado. Onde será que andou? Viste as olheiras? Não está cá, com certeza. Depois queixam-se, nem sequer ouvem, o que estão à espera? Milagres nos exames? Isto já não está famoso, depois não têm média para o mestrado e eu quero ver. Olha, agora parece que se está a rir sozinha. Achas que fumou alguma coisa?

Ser toda a gente, experimentar todos os bocados do mundo e do inferno. Dançar mal. Dançar bem, tanto faz. Chegar ao paraíso do outro lado da janela. Quando se passa várias horas seguidas a tocar guitarra, ou violino, chega uma altura em que os dedos cansados começam a ficar leves, movem-se rápidos sobre as cordas. E parece impossível que depois de tantas horas se chegue a esse êxtase, esse prazer quase sexual que dura minutos depois de horas; até aos dedos não resistirem mais. Dançar muito é só isto. A procura desses momentos, de todas as formas. Ir com toda a gente. Não abrir bem os olhos durante o dia. Jantar mal. Trabalhar mal. Estudar mal. Dez minutos para a roupa e maquilhagem. Sapatos bonitos, confortáveis, para conseguir chegar ao momento mágico. Como os primeiros segundos da descida de uma montanha russa. Não pensar em nada, em absolutamente nada. Durante horas. Horas, meu deus. Horas. Olhar para toda a gente, não fixar os movimentos de quase ninguém, excepto nos minutos em que tudo parece turvo e demasiado fácil dentro da cabeça, ao olhar os outros. Arrefecer por dentro, sem parar de dançar. Tocar o céu. Só. E ir regressando até à noite seguinte. Chegar a casa no domingo, vestidinho engomado. Refeições a tempo e horas. Novidades forçadas. Ir ao concerto do Manel Cruz e chorar, sabes bem porquê. Não sabes a falta que fizeste para me dares a mão. Chorar só. Voltar a Lisboa às 6h da manhã. Análise de Dados Qualitativos. Vontade doida de dormir, só. De não ir. E de me perder nesses braços onde a segurança não parece uma ilusão, onde apetece ficar enquanto puder ser. (Podes voltar mais uma noite? O sussurro quente e exausto das palavras mais bonitas ao ouvido um do outro, que quem não ama também precisa de poesia e braços entrelaçados enquanto sonhamos, dormimos acordados e contamos histórias infinitas, para sermos estranhos quando nos cruzamos no dia seguinte. Podes voltar mais uma noite? Não sabia que aquela era a última vez, não me despedi.) As bebidas acabam rápidas nos copos, os cigarros esgotam-se antes de darmos sequer conta que respiramos, a droga evapora-se como a espuma dos banhos da infância, para sempre quentes e aconchegantes. Vamos então brincar a um faz de conta que esta noite é para sempre. É só bom porque é e não é assim. Magia. E uma liberdade, uma liberdade infinita, de não ter de pensar em nada, de não ter ausências a bater à janela, e fantasmas a assombrar-me os sonhos, e as peças de roupa que deixaste sem querer e já não vens buscar, e as coisas que tenho para te devolver e não sei como. Dançar, dançar, dançar. Sorrir mesmo quando o mundo lá fora cai aos bocados. Conhecer toda a gente

Intelectuais. Betinhos. Músicos. Amigos dos amigos. Góticos. Pop Stars. Conhecidos. Hippies. Estudiosos. Amigos. Bailarinos. Que gostam de ficar a ver. Que não gostam de ir. Que dançam até à exaustão. Que fazem um esforço para não vomitar no meio da pista. Sóbrios. Que fumam erva. Que saem do universo. Fumadores. Fumadores sociais. Vegetarianos. Com decote. Vestidos. Calções. Saltos altos. Havaianas. Heteros. Gays. Tanto faz. Que estudam. Que não estudam. Com ideias políticas. Sem ideias políticas. Que me admiram. Que não querem nem saber. A quem irrito. De olhos abertos. De olhos semi-serrados. Que cantam a letra. Que gritam a letra. Que não sabem a letra. Que improvisam no momento.

E mais que isso, ser toda a gente

Intelectuais. Betinhos. Músicos. Amigos dos amigos. Góticos. Pop Stars. Conhecidos. Hippies. Estudiosos. Amigos. Bailarinos. Que gostam de ficar a ver. Que não gostam de ir. Que dançam até à exaustão. Que fazem um esforço para não vomitar no meio da pista. Sóbrios. Que fumam erva. Que saem do universo. Fumadores. Fumadores sociais. Vegetarianos. Com decote. Vestidos. Calções. Saltos altos. Havaianas. Heteros. Gays. Tanto faz. Que estudam. Que não estudam. Com ideias políticas. Sem ideias políticas. Que me admiram. Que não querem nem saber. A quem irrito. De olhos abertos. De olhos semi-serrados. Que cantam a letra. Que gritam a letra. Que não sabem a letra. Que improvisam no momento. Seis da manhã.

Todas as noites, porque paro e o mundo já não é meu, desfaz-se lentamente pelas paredes da minha cela, uns metros quadrados de desconforto sem camas onde cair. Então é só sentir a música na cabeça, o bombo dá o tempo, e não pensar em nada. Ah, o paraíso num canto tão fácil do inferno.

3 comentários:

Marta disse...

Bom dia Conteúdo Latente.

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telma disse...

já fazia falta um post, já :p

Xana'Maria :) disse...

Gosto mesmo deste post...
Porque tambem me identifico com ele...

Gosto mesmo da maneira que escreves...
Porque é tão real e delicioso de se ler...

Gosto de ti...
Porque aos poucos e poucos fomos percebendo que temos algo em comum, porque sei que posso confiar em ti, porque me ouves quando estou mal, porque tocas tão bem violino, porque eu tenho tanto orgulho em ti, porque és um grande suporte no meio daquela "quase selva" que nós tanto adoramos, porque prevejo para nós tantos anos de coisas tão boas, de tantas gargalhadas, de tantas peripecias, musica, coisas boemias da vida... Porque chegaste devagarinho, quase sem querer incomodar, porque foste ganhando o teu espaço, na sala, nas coisas, nas pessoas e em mim, porque me soubeste conquistar e sem dar por mim já gostava tanto de ti e já me preocupava tanto contigo, porque rapidamente vi em ti uma grande amiga...

Gosto tanto de ti, do que tu és, da força e doçura que pões em cada coisa que fazes, de como consegues ser amiga e estar presente, mesmo quando a tua vida anda num turbilhão...

Gosto de ti, pelo que já passou, pelo és neste momento para e já gosto de ti pelo que vamos passar juntas no futuro.

Gosto de ti, simplesmente... E isso a mim basta-me :)!


Beijinho enorme*

Xana :)