sábado, julho 03, 2010

Vem buscar-me

Vem buscar-me.
Vem buscar-me.
Vem buscar-me devagar, quando eu estiver a sonhar.
Vem buscar-me em pés de lã, numa viagem só. Não quero ir pouco a pouco.
Vem buscar-me. Pega-me ao colo e leva-me para esse lugar mágico de vazio, onde não importa o corpo. Importarão as palavras?
Vem buscar-me, não quero chorar mais. Não quero olhar mais para o chão e ver-me nele aos estilhaços.
Vem buscar-me, não tenho conserto. As cordas do baloiço finalmente partiram-se. Porque estou eu ainda aqui?
Vem buscar-me. Abraça-me com força e não mintas. As mentiras são bonitas, mas eu não. E preciso de ir entretanto.
Preciso que me venhas buscar. Agora. Vou deitar-me devagar, fechar os olhos devagar, para que me venhas buscar devagar.
Vem buscar-me. Não tenho heranças. O tempo corre e nós vamos ficar para trás. Um dia, eles vão ser grandes médicos, grandes advogados, grandes empresários; se tiverem sorte serão pessoas. Eu não. E a parte mais bonita, é que não vai importar.
Vem buscar-me.
Vem buscar-me.
Vem buscar-me.

1 comentário:

Júlio disse...

Cheguei aqui por causa do nome. Voltarei por conta do estro.