terça-feira, setembro 14, 2010

je t'aime

Nas palavras e nos sons de alguns poetas

A morte é um berço de penas quentes

Onde saberia bem descansar, apenas.

Há ainda os filmes onde o sangue

Ainda quente no chão são quase rosas e

Escolher morrer sabe quase bem, no final do Verão.

Na rádio velha, passam as canções de quem

Não ficou, de quem não pode ficar. E os acordes

Demorados entre a doçura de uma voz distante

Mascaram a verdade com ramos de flores.

A arte romantizou os suicídios, ou terão sido os Homens?

Talvez a morte seja romântica para quem vai, se tiverem sorte

A morte será só o nada. Para quem fica, para quem aos

Domingos põe numa campa fria ramos de flores

E lágrimas, para quem se deita na terra para estar

Mais perto dos ossos, já que a carne não ficou,

Para quem fala sozinho, porque os mortos não respondem,

Os suicídios não são românticos, são só um vazio infinito.

Que já não fica bem num poema, que não cabe nas legendas

De um filme sempre estrangeiro, nem rima

Numa canção.

(Por favor, não vás também)

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