sábado, outubro 30, 2010

Castelo de Cartas

Perdida num conforto falso,
(Mas ainda assim real)
De inventar novidades felizes
Para as vozes distantes ao telefone,
Procuro a minha paz
(Ou um intervalo para as minhas guerras)
Como lhe quiserem chamar.
E esqueço, como quem se esquece
De fechar a porta antes de sair de casa,
Que há coisas que só se encontram
Quando não se procuram.
Perco-me entre as dobras dos lençóis
E chego a acreditar que esta cama é um país
Deserto e em sangue onde desembarquei
Sem navios ou tripulação.
Invento sorrisos para mascarar as palavras
Que não sei, nesta língua de fogo,
Morte ou religião. E invento,
Crio uma vida que não é a minha com
Uma facilidade que me assusta.
E vivo-a; por mim, por quem?
O que as pessoas do outro lado do telefone
Nunca vão saber é que sou só um castelo
De cartas que cai sempre
Quando tentam por a última carta.

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