terça-feira, novembro 23, 2010

Eternamente

Eternamente sós.
Assim estamos, talvez para sempre:
Eternamente cegos,
Eternamente sós.

Deambulamos pela vida
Como quem passeia num parque de diversões
Antigo.
E ouvimos as pessoas ao nosso lado
Sempre no fundo de uma rua de um outro país,
Sem que nunca cheguemos a elas.
Aquela criança leva pelo braço um balão
E nessa imagem estaria toda a esperança do mundo.
Mas corremos perdidos por essas ruas cheias de gente
Sem nunca chocar com ninguém.
Nem com as crianças ou com os seus
Balões (e nunca pensámos que toda a esperança do
Mundo pudesse estar nalguns centímetros de borracha e ar).
Entramos sem querer no topo de uma roda gigante
De onde veríamos o Universo conjugar-se
Sobre os nossos olhos sem lágrimas.
Mas estamos eternamente sós,
Eternamente perdidos
Num parque de diversões sem princípio ou fim,
Onde a diversão acabou há muitos anos já.
No ar paira o perfume do algodão doce
Ao qual nunca poderemos chegar.
Ao fundo, está um carrossel igual aos dos filmes:
Os cavalos brancos descem e sobem em galope
Até ao céu, a música em acordes maiores
Anuncia felicidade gratuita, e as luzinhas amarelas
Prometem mais do que o que se pode realmente
Cumprir.
Caímos sempre antes de chegar
A esse lugar que sabemos que existe,
Mas que nunca conseguimos encontrar.
Eternos desadaptados dos sonhos,
Só aprendemos a viver debaixo dos nossos lençóis.
Oh, se pudéssemos ao menos ver
Toda a alegria para lá de um quarto escuro.
Há mágicos na rua, montanhas russas
E sangria. Jogos de tabuleiro, escorregas
Sem vendas até ao mar. Mas estamos cegos,
E se por acaso pudéssemos ver, não saberíamos lá chegar…
Por isso estamos cegos, eternamente cegos.
Por isso estamos sós, eternamente sós.

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