quarta-feira, novembro 10, 2010

Na casa do lado

A porta vai estar escancarada,
Talvez haja um sem abrigo
Deitado naquele canto onde dormimos
Sem querer, quando o vinho
Não nos deixou chegar à cama.
Talvez haja um post-it numa janela
Que eu não escrevi para que tu,
Se fosses outra pessoa,
Pensasses no que eu queria
Dizer. Mas não digo, nunca digo,
E escrevo, mas tu não lês,
Ou se lês, eu não sei.
Por isso não vai ser precisa uma chave.
A porta vai estar escancarada,
Talvez haja uma mosca poisada
Ao pé da janela de onde vimos
O Frank Sinatra cantar para nós.
É só um vazio, um buraco negro
No universo das tuas descobertas.
Sabes há quanto tempo já parti?
Talvez as aranhas te deixem teias,
Para adivinhares.
Talvez as laranjas estejam já podres,
O cheiro do tempo…
Quando te quiseres mudar,
Não vais precisar de uma chave.
E nesse dia, algures num Universo paralelo
Eu vou acordar enrolada
Nas minhas ironias sem fim,
E vou tossir intoxicada de abandonos
Enquanto tu encolhes os ombros
E resolves sempre ficar
Na casa ao lado.

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