terça-feira, novembro 30, 2010

Sujas

É este vazio onde os teus
Passos ecoam à medida que não partes
De uma vez só.
E esta casa escura e sombria,
Que me chama, me sussurra, me encanta,
Me prende sem me prender,
Porque escolho sempre ficar
Neste mundo de duas cores apenas.
Na rádio tocam as mentiras que um dia
Me cantaste. E o sabor doce que me
Percorre o corpo todo é o mesmo
De então, O ver o abismo, fechar os olhos
E saltar sem querer saber de amanhã,
E saber tão bem, tão certo, tão meu.
(Na poesia a sério, as pessoas não sabem
Quem são, têm saudades do mar, voam
Com as aves e morrem afogadas na manhã
Seguinte, porque até a poesia pode ser demasiada.
Se eu escrevesse poesia a sério,
Sairia da tua ausência para cantar sem esta
Rouquidão que me atrapalha as palavras.
Mas como isto não é literatura, e os dias
Em que eu queria ser poeta já morreram,
Posso ficar nesta cama suja onde me visitas para sempre)
E de onde eu, no final de contas, nunca saio.
O amor é para as pessoas, e as pessoas não se
Deitam em camas sujas.

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