segunda-feira, abril 25, 2011

Este cheiro

É algodão doce,
Nuvens brancas num céu limpo de Primaveras
Nunca adiadas.
Tem um toque de abismo e maresia,
De falésias que se desfazem
Imprevisível e repentinamente.
É ácido, tem umas gotas de limão,
Lembra mãos dadas à espera
De um adeus.
Tem razões à superfície,
E sonhos lá no fundo, no fundo
Sem fundo deste bailado.
Deixa na boca o sabor das maçãs
E nos ouvidos o sibilar das cobras…
Intoxica todos os sentidos,
E enquanto estiver aqui
Morrer e viver serão só dois verbos
Conjugados ao acaso de quem encontrou
Uma andorinha num canto sujo do chão.

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